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5 passos para coletar doações e distribuir PFF2 em sua comunidade


Quando a primeira ação da PFF2 Já aconteceu, ela ainda nem tinha um nome, era só “distribuição de máscaras PFF2 em Nilópolis-RJ”. Mas ela já tinha uma ambição, que foi confirmada pelos muitos comentários que ela provocou.

Quero dizer que AMEI essa idéia e já quero copiar na minha cidade!!!
Vontade de fazer algo assim aqui [onde eu moro].

É sobre esta ambição que vamos falar aqui. O que queríamos desde o início era não só inspirar mais pessoas a fazerem o mesmo, mas também facilitar o trabalho e deixá-lo mais fácil de executar. Existem muitos jeitos de colaborar para que mais brasileiros tenham acesso a máscaras PFF2. A principal delas é a cobrança pública para que os poderes executivo e legislativo nacional e locais façam valer o preceito constitucional da saúde como direito de todos e dever do Estado. Mas quando este falha, a sociedade civil pode e deve agir.

Se você tem condições financeiras, mas não pode sair e se envolver com a distribuição de máscaras em sua comunidade, você pode doar para uma das muitas iniciativas que estão envolvidas com o tema no Brasil. Também pode comprar um estoque pequeno de máscaras e doar para amigos, parentes ou mesmo entregadores de aplicativos, porteiros, etc.

Mas esta seção do site é para aqueles que querem tocar sua própria ação e levar máscaras PFF2 para mais gente. Existem 5 passos que a PFF2 Já criou e vai compartilhar neste post. São apenas sugestões, mas esperamos que sejam úteis.

1. Pesquise e aprenda

O primeiro passo em qualquer projeto é aprender mais sobre ele. Vai te ajudar a definir seu público-alvo, seu raio de ação, a responder perguntas de doadores, tirar dúvidas de pessoas na rua e mesmo encontrar fornecedores de qualidade e em conta. Nesta fase, conheça algumas perguntas que você vai precisar responder:

– Por que máscaras PFF2 são importantes agora?
– Elas são realmente mais caras?
– O que é PFF2, N95, KN95 e todas essas siglas?
– Por que não doar outras máscaras?
– Como usar a máscara PFF2?

Estas respostas não vão ser dadas aqui justamente pra estimular que você saia e procure as respostas (e faça outras perguntas). Mas existe uma turma que pode adiantar e muito o seu trabalho, trazendo informação curada e acessível não só sobre máscaras, mas também sobre vacinas e a covid-19. Aqui tem alguns deles:

Provavelmente, você também vai querer começar a pesquisar máscaras confiáveis, com bons preços e bom frete (ou pelo menos que tenha uma loja próxima da sua casa). Nessa hora, os perfis abaixo são imbatíveis. Além disso, recomendamos o site pffparatodos.com, que tem uma planilha de ofertas em várias lojas, fábricas e sites, atualizada toda semana. 

2. Comece pequeno e use o conhecimento acumulado

Uma vez que já sabemos um bocado sobre a pandemia e as máscaras, podemos dar início a uma rodada piloto de distribuição. Pode ser feita com recursos próprios ou de poucos doadores, como família e amigos mais próximos. Essa rodada piloto vai servir para testar a recepção, melhores lugares para estar, que tipo de dúvidas podem surgir, etc. Na nossa rodada-piloto, por exemplo, tínhamos algumas hipóteses que precisavam ser confirmadas. Elas vão ser listadas aqui somente como exemplo. Se algo deu certo no nosso contexto, pode:

Entrega em pontos de fluxo, como na estação de trem e em pontos de ônibus.
Ainda achamos essa ideia essencial, mas o caminho para chegar a esses locais já estava tão cheio de gente que decidimos já distribuir em filas de bancos, na calçada, nos semáforos, etc. Resultado: mal chegamos perto dos locais planejados. Mas podemos dizer que foi um sucesso.

Além de máscara, informação
Preparamos um folheto com linguagem simples para que as pessoas pudessem aprender sobre as máscaras. Você pode fazer o seu ou baixar o que vários outros perfis já disponibilizaram. O Qual Máscara, por exemplo, tem vários modelos incríveis no Instagram. E o nosso também está disponível para download em formato PDF ou Word (pra ficar mais fácil de mudar). Ele é preto e branco e em uma só página pra facilitar a cópia.

Conversa é essencial
Não basta entregar, tem que explicar. Isso a gente já imaginava e a experiência na rua confirmou. Então, prepare suas habilidades de “vendas”, pois você vai precisar.

3. Vá para a rua

Ao coletar as informações, montar sua estratégia e adquirir as máscaras, é hora de montar os kits e partir para a rua. Nessa hora, temos quatro recomendações a fazer (dentro do limite do que é viável):

A primeira é sair em duplas ou em grupos. É viável fazer sozinho, mas é mais difícil de tirar fotos (veja o passo 4), de ter ajuda em caso de contratempos e mesmo de dividir pequenas vitórias. No fim das contas, é um momento muito legal para não ser compartilhado.

A segunda dica é entregar mais de uma máscara por pessoa. Nessa hora, tivemos dúvidas na hora de planejar a ação, e tentamos achar um equilíbrio. Sabemos que o ideal é que cada pessoa tenha uma máscara para cada dia da semana, ou pelo menos usar a mesma máscara só depois de três dias sem usar. Mas entregar 4 máscaras por pessoa significaria reduzir bastante o número de pessoas atingidas (cada 100 máscaras iria impactar 25 pessoas). E entregar somente uma poderia dar a impressão de que a mesma máscara poderia ser reutilizada sem intervalo ou mesmo lavada. Chegamos, então, a um acordo, de distribuir duas máscaras por pessoa. Assim, atingiríamos mais gente, mantendo a essência de informar que as pessoas deveriam ter mais de uma máscara PFF2.

A terceira recomendação é abrir espaço para o diálogo. Percebemos que entregar a máscara sem explicar não é suficiente. Muitas pessoas não conhecem a máscara PFF2 ou têm muitas dúvidas. Um canal de diálogo é positivo não só para tirar essas dúvidas, mas para apresentar sua ação e eventualmente conseguir mais apoio.

Como consequência, a a quarta é aprender sobre abordagens do SUS na atenção básica. Se você não é profissional de saúde, pode nem imaginar, mas o SUS possui material extenso sobre abordagens, como conversar sobre saúde e escutar o público. Normalmente é voltado para profissionais em treinamento, como agentes comunitários de saúde, mas são uma boa fonte de inspiração e aprendizado. Usar o SUS como parceiro do seu projeto vai ser ainda mais lindo.

Uma vez na rua, prepare-se para responder perguntas e ouvir comentários como:

– Não tenho interesse em comprar, mas agradeço / Ah, e quanto é a máscara?
A pessoa acha que tem que pagar. Se você usar as palavras mágicas “é de graça“, a reação vai mudar completamente, é bem engraçado. Então use e abuse do “gratuito“.

– Já tenho máscara.
Oportunidade para apresentar o modelo PFF2 e explicar por que ele protege mais do que os modelos mais comumente usados. E também por que isso é importante neste momento de gravidade da pandemia.

– Onde posso comprar mais?
Normalmente em lojas de material de construção e farmácias. Mas nada te impede de indicar lojas na internet ou o site pffparatodos.com, do qual já falamos mais cedo.

– Pode usar mais de uma vez?
Esse é o tipo de pergunta que vale a pena se adiantar, explicar que a máscara pode ser reutilizada desde que em bom estado (não pode estar rasgada ou muito suja) e depois de descansar por 48h a 72h. Vale a pena explicar que é por isso que você está dando mais de uma, se for seu caso.

– Pode lavar? Limpa com álcool?
Outra pergunta muito importante, que vale a pena explicar antes. Molhar ou passar produtos na máscara a inutilizam. Deve-se reforçar que o único jeito de cuidar da máscara pra usar de novo é deixando-a descansar por uns dias.

– E se eu precisar usar minha máscara antes das 48 horas? Estou em risco?
Mais uma pergunta para se adiantar. Este cenário não é o ideal, mas ainda assim é possível. Só é extremamente importante lavar bem as mãos antes e depois de manusear a máscara.

– Vocês são uma organização? Vocês trabalham pra algum político?
No caso da PFF2 Já, que distribui máscaras na Baixada Fluminense e em São Gonçalo, a iniciativa foi criada e é tocada por uma rede de amigos (que já se conheciam ou que o próprio projeto proporcionou). E nós falamos isso, mas sem querer parecer melhores ou piores que ninguém. Afinal, se organizações e políticos entrarem na campanha junto, melhor ainda. Se você tem um apoio institucional, seja transparente. Ao mesmo tempo, tranquilize quem estiver recebendo que não há exigência de nenhuma contrapartida pelas máscaras.

– Por que vocês estão fazendo isso?
Podemos ter todas as motivações do mundo, e transparecer isso em nossas respostas. Só não podemos esquecer que esta iniciativa também é política. Afinal, estamos falando de educação em saúde e de direito à vida. Falar sobre isso também é dar às pessoas o direito à cidadania.

4. Registre e divulgue

Esse é um passo super importante, por vários motivos: é uma prestação de contas com os doadores, é uma forma de envolver mais gente – seja para doar ou para ajudar de outras formas –, e pode inspirar mais gente. Também é uma forma de pressionar o poder público. Quando a população vê que é possível, a cobrança recai sobre entidades com poder para organizar ações em massa.

5. Crie sua rede

Depois de realizar suas ações, registrar e divulgar, passe a seguir pessoas que estão fazendo o mesmo pelo Brasil, trocando aprendizados, dúvidas, articulando novos projetos e movimentos. Foi assim, por exemplo, que este site surgiu. Aliás, já cadastrou sua iniciativa aqui no Onde Tem Máscara? É só preencher este formulário!

Além disso, é importante pensar em fortalecer suas redes locais, como lideranças comunitárias. Caso você não tenha o hábito de participar de organizações e movimentos comunitários, pode ser uma experiência legal para você e útil para a sua iniciativa. Isso acontece porque essas lideranças já possuem acesso e respeito das comunidades, podendo facilitar a sua entrada. Priorizar grupos como camelôs, garis ou mototaxistas, entre outros, também podem provocar o mesmo efeito.